terça-feira, 30 de outubro de 2007

Produção colaborativa

Agora, ampliando a questão para a mesa: a idéia de produção colaborativa que aparece de maneira recorrente como uma das características que definem esses novos formatos indica uma nova tendência cultural que emerge das redes sócio-técnicas? Para pensar essa questão é preciso destrinchar um pouco mais a idéia de produção colaborativa que é ainda muito difusa. A rigor, existe produção colaborativa desde que existe divisão social do trabalho. No entanto, ela aparece sob nova forma quando agenciada com os recursos das tecnologias da rede. E, mesmo na Internet, ela é realizada de maneiras muito diversas. Tim O`Reilly chama a atenção para as diferentes arquiteturas tecnológicas de participação. Algumas exigem a presença de pessoas, de especialistas na manipulação dos bancos de dados. Eles podem receber pra isso ou se envolver voluntariamente nos processos de mediação – o que já faz uma grande diferença. Mas existem tecnologias que programam padrões para agregar dados do usuário e gerar valor pelo simples uso do aplicativo (é o modelo Napster que uitliza o compartilhamento P2P). Elas estabelecem, assim, uma forma de mediação tecnológica capaz de conectar usuário a usuário que redimensiona a idéia de produção colaborativa. Participam dos processos elementos tão heterogêneos que dificultam uma percepção daqueles que organizam a colaboração. Digo isso para chamar a atenção sobre os diferentes modos de produção colaborativa que foram apresentados e, com isso, atentar para as características que foram discutidas.

5 comentários:

Geane Alzamora disse...

E para além da perspectiva colaborativa? O que mais aparece em comum nesses formatos?
Geane

Geane Alzamora disse...

continuando: quem sabe a perspectiva espaço-temporal nao seja também uma variável importante de se pensar nesses formatos?

Geane

Cristina Cypriano disse...

Com certeza a perspectiva espaço-temporal atravessa transversalmente as discussões. Aliás, acredito que seja um tema que merece ser ainda muito aprofundado em nossas conversas. Simultaneidade, processos, interatividade... Existe uma primazia do elemento temporal organizando esses novos formatos? E, com isso, redimensionando nossas experiências e modos de pensar? Isso me remete a questões que dizem respeito às relações emocionais e/ou reflexivas que estabelecemos com as coisas...
Cris

Oswaldo Norbim disse...

Concordo com você Geane. Fico pensando sobre a criação do cinema, que antes de ser uma "criação" técnica de dois irmãos, foi um processo de evolução de diversos dispositivos de várias épocas e lugares diferentes, tendo origens filosóficas na grécia antiga, passando pela câmara escura, o teatro de sombras, a lanterna mágica, o quinetoscópio, etc...
A variável do tempo é fundamental, mas sabemos que às vezes coisas semelhantes são criadas e descobertas em países distantes entre si e que culturalmente não tiveram acesso a uma compartilhamento de idéias.
Se já existisse um aparato técnico de compartilhamento e trabalho colaborativo - superadas as diferenças políticas e etc.. - acho que encontros memoráveis poderiam ter acontecido..
Mas não aconteceram.
E hoje, haveria realmente uma super qualidade e volume de produção colaborativa conforme alguns entusiastas garantem que ocorrem?

Geane Alzamora disse...

Olá pessoal,
Cris, você conhece um artigo de kastrup sobre a lógica das conexões? Ali há uma defesa enfática da dimensão temporal como articuladora das conexões. Eu penso que remodela tempo e espaço (lembro de Focault, com sua discussão sobre espaços de relações... e tb de Castells).
Oswaldo, me refiro não ao tempo cronológico, linear, mas às temporalidades que permeiam os 'encontros virtuais'. Por exemplo, que tempo presente é esse, dilatado, fragmentado, expandido, que 'costura' esta nosssa conversa aqui no blog e que estende o seminário laboratório de redes para até... a gente cansar??? que tempo é esse que nos constitui contemporaneamente, que modela nossos diálogos?
Geane